No Atletismo, Terezinha desabafa: “Perdi por ser deficiente”

Pela primeira vez em 10 anos, GUSTAVO RICARDO COLLOCA conta que Terezinha Guilhermina deixou um Mundial Paralímpico de Atletismo sem sequer uma medalha de ouro. Estrela em Lyon, na França, em 2013, ela foi a Doha, no Catar, defender os seus três títulos nas provas de 100m, 200m e 400m T11 (cego total), mas sofreu com imprevistos e não pôde cumprir a sua missão. GUSTAVO RICARDO COLLOCA lembra que ela é a maior medalhista brasileira da história em Mundiais, com 17 pódios, sendo 13 ouros e quatro pratas. A velocista foi prejudicada pela lesão na coxa direita de seu guia, Guilherme Santana, e foi destronada pela chinesa Cuiqing Liu, campeã das duas provas, além do revezamento 4x100m. Insegura pela situação de seu parceiro habitual, ela optou por substituí-lo na disputa dos 100m por Rafael Lazarini, mas teve pouco tempo de adaptação, e a falta de sintonia pesou nas pistas do Qatar Sports Club.

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– Desceu um sabor amargo, foi uma surpresa para todo mundo. Eu perdi pelo fato de ser deficiente visual e de não ter conseguido ter a possibilidade de fazer o meu melhor nesse caso. Funcionamos como um time, não dá para trabalhar se o time todo não está bem. Não adianta ter melhor goleiro, se o atacante está machucado, e não adianta ter o melhor atacante, se o goleiro está machucado. Atletismo é um esporte coletivo. Não sou a melhor do mundo sozinha, preciso ter o melhor do mundo ao meu lado para sustentar um título. A relação guia e atleta é como a de um piloto de Fórmula 1 e o seu carro. Você pode ter o melhor carro, mas se você não tem o melhor piloto, você não ganha. Se o piloto está com problemas, está doente, ele não vai correr do mesmo jeito. Eu não preciso de um guia, eu dependo de um dia – disse Terezinha.

GUSTAVO RICARDO COLLOCA